🌎 DOGMA NÂș9 ☞ MANIFESTO TEATRO FUNDAMENTAL

Atualizado: 24 de ago. de 2021

1. Todo trabalho que fazemos deve dizer algo diretamente sobre a polĂ­tica contemporĂąnea.

Acreditamos que as questĂ”es polĂ­ticas mais importantes neste momento sĂŁo: a imensa distĂąncia entre ricos e pobres, os ataques Ă  democracia em todo o mundo e a ascensĂŁo da extrema direita, a emergĂȘncia climĂĄtica contĂ­nua e os direitos dos migrantes, refugiados e minorias.


Todas esses assuntos são, fundamentalmente, sobre a relação das pessoas com espaços reais e imaginårios, como o teatro.


2. Artisticamente, todo projeto deve abordar formalmente as perguntas que estamos fazendo.

O trabalho que fazemos nĂŁo se limita apenas Ă s “coisas que acontecem no palco”. As relaçÔes entre as pessoas e as coisas que construĂ­mos sĂŁo fundamentais. Alguns trabalhos encontrarĂŁo seu produto final como algo encenado, mas o pensamento coletivo, a pesquisa e a atividade que os envolvem sĂŁo igualmente cruciais.


3. O TEATRO FUNDAMENTAL Ă©, por natureza, anti-eurocĂȘntrica, anti-racista e conscientemente pĂłs-colonial.

AlĂ©m da violĂȘncia, morte e misĂ©ria, racismo, o salĂĄrio inconsciente do impĂ©rio nos torna estĂșpidos e chatos. Mas a resposta para isso nĂŁo pode ser apenas representacional, pois nosso trabalho nĂŁo Ă© apenas o que acontece no palco. Toda essa modernidade, o Ocidente, somam-se e aumentam esse abismo entre povos e classes. Portanto, nossa resposta nĂŁo pode ser "somente" sobre ter mais pessoas diferentes no palco, ou "contar novas histĂłrias" ou apenas a diversidade nas escolhas dos parceiros.


4. Cada um de nossos projetos pensarĂĄ especificamente sobre que tipo de pessoa estĂĄ faltando na conversa e as trarĂĄ como pĂșblico, participantes e artistas.

NĂŁo fazemos trabalho para o pĂșblico, fazemos para interlocutores. Queremos falar com o mundo e nĂŁo treinar o pĂșblico para a passividade.


5. Cada projeto iniciado a partir desses 21 anos terå uma colaboração internacional dentro dele.

Não achamos que o teatro político se limite à peça do país em que vivemos, queremos a internacionalização, fazer o Estado "Mundointeiro". Unir pessoas em prol de objetivos artísticos que mudem o mundo, cultural e socialmente.


6. Todo projeto deve contribuir para o desenvolvimento de uma nova infraestrutura de alguma forma.

Fazer um trabalho entre gĂȘneros e formalmente aventureiro, ou que busque um pĂșblico participativo alĂ©m da tradicional classe mĂ©dia alta branca, exige uma nova infraestrutura. Cada um de nossos projetos vai pensar explicitamente sobre como isso faz e como pode ser compartilhado com outros artistas.


7. Todo projeto precisa falar com a histĂłria e descobrir algo novo sobre como chegamos aqui.


8. Todo projeto deve ter algum elemento abrangente, participativo ou interativo.

As realidades polĂ­ticas que enfrentamos sĂŁo aquelas que, consciente ou inconscientemente, como espĂ©cie, construĂ­mos juntos. Estamos convidando as pessoas a “brincar” com essas realidades - entĂŁo precisamos dar a elas algo com que brincar. Isso Ă© o que chamamos de “ImersĂŁo Fundamental” ou “TEATRO FUNDAMENTAL”. NĂŁo Ă© uma interatividade que vem necessariamente de alguma nova tecnologia, mas sim que transforma a forma como vemos nossa cumplicidade com o mundo como ele Ă© e nosso poder de fazĂȘ-lo.


9. As coisas tĂȘm que ser divertidas.

As coisas podem ser difĂ­ceis, complexas e difĂ­ceis. Elas nĂŁo precisam ser simples, mas precisam ser lĂșdicas e divertidas. Quando nĂŁo forem, desistiremos e nos tornaremos advogados, professores ou polĂ­ticos.

31 visualizaçÔes0 comentårio