EPIGENIA - (e-pi-ge-ní-a)

Fenômeno de transformação de um corpo em outro corpo sem que ele perca sua forma cristalina primitiva.

Com objetivo de criar e produzir espetáculos teatrais, os artistas Gustavo Paso e Luciana Fávero, se juntaram em novembro de 2000 para fundar a CiaTeatro EPIGENIA. Fiéis ao conceito de transformação com assinatura autoral, a dupla objetivou causar uma Epigenia em obras teatrais. Epigenia é um conceito até então utilizado apenas pela biologia, que explica a transformação de um corpo em outro corpo sem que este perca sua forma primitiva, ou seja, aplicar uma nova visão, autoral, em obras da dramaturgia mundial. Assim percorremos por este caminho desde novembro de 2000 até “o mundo de hoje”.

A CiaTeatro Epigenia é uma companhia de teatro HUMANISTA, procuramos projetos que falem ao Ser Humano contemporâneo, achamos que podemos mudar o mundo.

O eixo de trabalho do CiaTeatro Epigenia é o ator. Portanto, a questão da formação do ator, tanto no seu aspecto técnico quanto no desenvolvimento de seu potencial como homem, é fundamental em nossa companhia. Buscamos uma macro-visão artística, cultural e mesmo filosófica sobre o ser humano nosso super-objetivo. Mais do que um trabalho, um caminho! Pois é nele que reside o valor do ser humano, o que nos importa e nos move. Aonde chegaremos só no encontro com o público iremos saber. O fim é conseqüência; detenhamo-nos no presente, no caminho. É nisso em que acreditamos.

 

Ao longo de seu trabalho, muitos atores vão se distanciando do impulso original que os conduziu ao teatro, das questões realmente fundamentais que ocupam o centro de toda atividade artística: o sentido do ser e da ação humana no mundo, o constante questionamento de si mesmo e das relações que os homens estabelecem na sociedade, a busca da revelação e da transcendência através da técnica.

 

Nosso trabalho é um reflexo do estudo e pesquisa dos fundamentos da representação teatral a partir da ação e do improviso, matéria-prima da interpretação, o que propicia uma visão da formação e do trabalho do ator como integração e articulação de seus diversos níveis pessoais (corpo, matéria, imaginação, vontade e inteligência) em diálogo com a sociedade e a cultura, com o espaço, o tempo e os outros homens, a fim de redimensionar e aprofundar o sentido e a importância de seu ofício e de seu papel no mundo.

Uma característica de nossa companhia é o respeito e a necessidade de nos aprofundarmos no trabalho e pesquisa individual dos artistas envolvidos em criar o espetáculo. Cenógrafo, figurinista, iluminador, buscamos estes artistas para que eles tragam a tona seus próprios caminhos artísticos, suas pesquisas acreditando que na soma há troca, assim todos caminham a partir de um conceito, que é do espetáculo, mas com sua impressão pessoal sobre ele.

 

A cada trabalho nosso compromisso artístico nos leva ao aprofundamento na individualidade de cada artista envolvido. É então que emergimos com uma visão própria, uníssona e, mais que isso, com nossa própria experiência real, por ser vivida a plenos pulmões, corpo e voz, não só dos atores, mas de todos os criadores da equipe.

 

Fazendo com que todos os artistas envolvidos participem de uma parte do processo criativo-ativo, na sua fecundação, fazemos com que eles abram suas mentes e criem sem as amarras da concretização-bela-por-ela-mesma. Caminhando, assim, para a autenticidade da criação num sentido mais amplo.

 

A meta de nossas buscas é a obra de arte, mas nos concentramos no como fazer, pois entendemos que, no domínio da arte, a técnica e a criação são inseparáveis. Causando ao fim uma Epigenia: fenômeno que se dá quando um cristal se transforma em outro corpo sem todavia perder a sua forma cristalina primitiva.