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"NÃO HÁ TECNOLOGIA

SUPERIOR AO ATORATRIZ"

GUSTAVO PASO

“Você sai fortalecido quando encara os próprios males; é um efeito misterioso e catártico. Podemos encarar nossos terrores e, ao mesmo tempo, acessar nosso incrível lado positivo.”

 

Peter Brook

"Mais que um paradoxo, a perspicácia de reconhecer um 'encontro' de antagonistas para a criação de um caminho autoral."

  • Academia do Ator: lugar reservado para o ator se exercitar.

  • Trabalho com jovens atores

  • Programa de debates sobre a Arte de Atuar e Não Atuar

  • Workshops, cursos e oficinas

  • Trabalhos concebidos para grupos específcos de artistas

"A arte do teatro é ação.

É o estudo do compromisso.

A palavra é um ato."

David Mamet

Críticas, Citações, Comentários & Opiniões

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Fernando
Arrabal


Em carta destinada ao
diretor Gustavo Paso
quando soube que
a Cia. ia estrear a

TRILOGIA ARRABAL  2002

"Que PASO para el teatro y

que salto para

ARRABAL."

TRILOGIA ARRABAL

EPIGENIA   |   ORAÇÃO CEMITERIO DE AUTOMOVEIS

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Tânia 
Brandão
O Globo | 2013

“Se você costuma se perguntar sobre o futuro do teatro em um mundo cada vez mais consumista, devorador de gente, e sobre os limites da liberdade neste jogo, vá ver GARAGEM de Gustavo Paso. A cena é ousada e inspiradora, dá o que pensar.”

GARAGEM

TEXTO E DIREÇÃO

GUSTAVO PASO

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Maria Eugênia
Menezes
Estadão | 2017

"A obra da carioca CiaTeatro Epigenia,

dirigida por Gustavo Paso, vem ocupar uma lacuna no cenário teatral contemporâneo: Arte com Entretenimento."

HOLLYWOOD

TEXTO DAVID MAMET E

DIREÇÃO GUSTAVO PASO

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Bárbara
Heliodora
O Globo | 2007

"Universo de Suassuna em Celebração.

(...)

Todos os valores teatrais são trabalhados por Gustavo Paso com objetivo de evocar o nordeste.

Suassuna merece!"

ARIANO

TEXTO ASTIER BASILIO E

GUSTAVO PASO

DIREÇÃO GUSTAVO PASO

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José Cetra
Crítico teatral | 2017

“Que atores!

Nesses tempos onde o ódio e a intolerância parecem dominar as relações entre as pessoas, RACE - com impecável direção de Gustavo Paso - é mais que

necessária. 

É obrigatória”

RACE

TEXTO DAVID MAMET E

DIREÇÃO GUSTAVO PASO

edital Rio
Assentos vazios no teatro
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Epigenia ON-Life

  • Geração de cursos online

  • Epigenia 25 série de entrevistas

  • Cursos teóricos online

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Publicação

Livro e eBook com a publicação do Método de Trabalho da Epigenia

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Academia d'AtorAtriz

Lugar reservado para o ator se exercitar. RECICLAGEM e APRIMORAMENTO

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Epigenia de Portas Abertas

toda sexta-feira as 11h vnós teremos uma cena para você assisitr na sede

CONSELHO CONSULTIVO

Luciana Fávero Atriz e Diretora de Produção. Fundadora em 20 de novembro de 2000

Gustavo Paso Curador, Professor e Diretor de Projetos Fundador em 20 de novembro de 2000

Dodi Cardoso Curador, Ator, Professor e Treinamento Vocal na Cia desde 2007

Toni Rodrigues Curador, Professor e Diretor de Corpo na Cia desde 2025


Gustavo Falcão Ator e Oficineiro de Acrobacia Aérea na Cia desde 2007

Eduardo Andrade Oficineiro e Criador de Formas Animadas na Cia desde 2018
Tatjana Vereza Atriz na Cia desde 2023
Gustavo Klein Ator, Professor e Oficineiro de Canto Musical na Cia desde 2024
Gláucio Gomes Ator na Cia desde 2018
Gabriel Natividade Ator na Cia desde 2023

Thiago Russo Teórico da Cia, Curador e Oficineiro de Dramaturgia Mundial desde 2019

Alexandre Bordallo Professor e Oficineiro de interpretação na Cia desde 2014

academia

Academia d'AtorAtriz

Lugar reservado para o ator se exercitar.

RECICLAGEM

APRIMORAMENTO

ou apenas estar com amigos.



Acontece  muito  de  atores  que  saem  da  escola  muito  bem  preparados, mas  e  o  mercado  de trabalho?  Tem  trabalho  em  comercial,  televisão, teatro  comercial,  algum  teatro  mais conceituado…  enfim,  o  barco  dele vai  para  o  oceano  e  precisa  pescar.  Ele  aprende  a  melhor maneira de faze-lo, porém tem sempre uma oferta que já traz o peixe em suas mãos, acontece que ele vai perdendo o traquejo, faz parte. Por isso estamos aqui e esse é o pilar do nosso clube, da  nossa  Academia  onde  ele  poderá malhar  o  fazer  teatral.  Um  dos  princípios  de  criação  da Academia  é poder  abri  um  espaço  para  o  ator  que  quer  se  exercitar  para expandir conhecimento, mergulhar sem medo. Há mais de 40 anos Eugenio Kusnet pensava nisso:


“Vendo muitos atores se repetindo e perdendo a capacidade de improvisar, de se reinventar, pensei nesse núcleo e já vi isso acontecer. Na União Soviética eu vi atores de 30, 40, 50 anos voltando para o seu banquinho de escola pelo mais variado número de tempo. Os mais estabilizados na profissão ficavam até por 2 meses.”

Eugenio Kusnet


Nossa ideia é fundar esse clube onde o artista possa “malhar” como numa academia. Um lugar que ele chegue e possa ser acolhido para ser retrabalhado, desafiado, aperfeiçoado, onde sinta que  tem  profissionais que  estejam  a  sua  altura  para  que  possam  mexer  com  suas  zonas  de confronto,  além  de  lhes  dar  estruturas  novas  para  seguir  em  frente.

 

Um  lugar  que  ele  possa passar diariamente para trabalhar, onde pode combinar com amigos de se exercitarem juntos... podem  ficar  por  uma semana,  um  mês,  um  clube  de  experiências  criativas  e  físicas,  onde  o nosso  trabalho  com  o  Ator  experimentado  e  comprovadamente  eficaz nesses  20  anos  será  a base para que ele possa voar.


Kusnet desejava uma espécie de estúdio do ator e visava ajuda de governos. Nosso objetivo é mais simples. Somente precisamos que o ator se associe, para que possam participar de algo que lhe de capacidades, expansão criativa, jogo cênico... Nosso foco será em atores que queriam fazer parte desse clube e que tenham condição de ajudar a KASA KUSNET por objetivos claros, estarem em contato com todo o material de trabalho apresentado.

Um  exemplo:  o  ator  mora  em  São  Paulo  e  vem  ao  Rio  de  Janeiro gravar.  Ele  tendo  tempos livres  durante  a  gravação,  ele  poderá  nos visitar  e,  se  quiser,  se  exercitar.  Pode  inclusive trabalhar a cena que deve ser “decorada” para sua próxima gravação, ou para fazer um trabalho mais  precioso...  se  juntar  a  um  grupo  e  exercitar  seu  personagem  em improvisações  sobre  a cena  em  questão  e  mais  ainda,  sobre  a  trajetória  do  seu  novo  personagem.  Isso  nos  remete aquele lugar que cito em relação a estagnação, acidentes de trabalho que fazem o interesse do ator no meio da novela se transformar em “mais do mesmo”.

 

Ele pode vir quando tem tempo, amanhã  ele  não  pode?  Volta  na  outra semana.  Está  em  ponte  aérea?  

 

Mas  sabe  que  tem  um núcleo,  uma  academia  para  se  exercitar.  Mas os  que  moram  aqui  no  Rio,  podem  ter  o  clube como  sua  academia  de criação.  Fica  um  tempo  sem  aparecer,  mas  depois  volta  e  pratica. Sozinho,  em  dupla,  em  trio.  Com  tempo  escolhe  uma  cena  da  Nina  na GAIVOTA  de Tchekhov,  uma  semana  de  trabalho  com  essa  atriz  numa personagem  dessa  envergadura,  é alimento  para  meses.  Uma  Lady Macbeth,  sendo  gerada  com  calma  e  carpintaria,  onde  a improvisação através das Ações Físicas criamos toda a estrutura emocional de sua personagem. Quem já teve esse tipo de encontro sabe que é uma experiência impar para qualquer artista da criação.


Se você juntar os jovens atores, os nosso galãs por exemplo. Quando é que eles podem “parar” suas  vidas  para  se  dedicar  a  fazer  Hamlet,  Eduardo II,  Mercuccio?  Um  ator  que  estuda  uma cena clássica com abordagem moderna se preparada para muitos outros personagens.

 

É fato que sempre  que  um  ator  experimenta  fazer  um  personagem  com as  idiossincrasias  de  um protagonista  de  Shakespeare,  Goethe  ou Brecht,  vai  para  o  mercado  com  esse  arcabouço  de emoções muito mais elevado, além de uma maior capacidade analítica. E quando esse ator mal sabe quem são esses personagens, nunca passou por eles? A Academia também é para esse  mergulho,  e  ele  pode  ser feito  em pequenos  períodos,  que além de dar conhecimento ao ator pode, inclusive encoraja-lo a encarar uma peça inteira, com mais segurança e fôlego. Além de saber exatamente onde quer chegar.


Imagina  isso  tudo  voltado  para  um  personagem  de  novela,  que  tem uma  dramaturgia  muito mais simples por ser em sua maioria das vezes um espelho de nosso dia a dia. Uma questão, um conflito a ser trabalhado, lhe seria mais simples.

“Estar preparado

               é tudo”

 

em Hamlet de William Shakespeare

TRABALHO COM JOVENS ATORES

 

“Método de Desenvolvimento Artístico do AtorAtriz”

 

SOBRE OS JOVENS

 

Então se os jovens atores fossem todos treinados sob o Método de Analise Ativa, que tem em sua base na improvisação e não no psicologismo, haveria uma facilidade imensa no trabalho do diretor com eles, como resultado na comunicação emocional quando esses jovens fossem estudar seus personagens e transpor para plateia que for. Em qualquer linguagem, pois o que6estamos falando é de comunicação, de interpretação. Este é o projeto, ter contato com jovens atores e poder treina-los, para dar-lhes capacidade de improvisação permanente.

 

OBJETIVO

 

Uma das bases da ACADEMIA está relacionada com o futuro de jovens artistas, focada exatamente em ensina-los a trabalhar baseados no “Método de Desenvolvimento Artístico do AtorAtriz”, a improvisar, seja nos cursos de grande duração, workshops, seja nos laboratórios pelo Brasil. Nosso foco do curso de longa duração é manter a improvisação, através do curso inteiro!

 

Realmente todas as matérias do estudo tem que ter uma base conceitual relacionada com a improvisação O estudo do livro Ator E Método de Eugenio Kusnet, além de outros que abordam o assunto. Um curso que foca no ator, deve ter em sua grade mais de 80% do currículo voltado para ensina-lo a INTERPRETAR.

 

E esse processo passa intrinsicamente pela sua capacidade de criar. Exercitar sua capacidade criativa em processos que o trabalho principal é afastar-lhes, momentaneamente, da consciência analítica, para que a Ação Física guiar sua criação.

 

Isso já é conteúdo do “Método de Desenvolvimento Artístico do Ator da KasaKusnet”

Iluminação de palco vazia

Projeto 

 Saberes

em construção

Aprofundamento nos Conceitos

Falando sobre o método de trabalho assim de forma rápida e clara que consiste as bases que dão sustentação ao método de trabalho.

 

O sentido da busca da vontade e que o personagem não tem só uma vontade, ele em suamagnitude é contraditório. O ator está no palco para comunicar a peça ao público. Esse é ocomeço e o fim de seu trabalho. Para fazer isso, o ator precisa de uma voz poderosa, uma boadicção, um corpo útil e a compreensão do trabalho. O ator não precisa "se tornar" opersonagem. De fato, essa frase não significa nada. Não há personagem durante o período deensaios. Existem apenas algumas frases em uma folha. Existem algumas linhas de diálogo quedevem ser ditas pelo ator. O que ele se tornará ao final do período de ensaios é o que importa.Ensaiar é gerar possibilidades. Se não mandaríamos os atores decorarem o texto e levaríamospara a cena como guardas de transito que direcionam carros para esquerda e direita para quenão se batam em cena. Quando o ator simplesmente experimenta a simplicidade, diz o texto natentativa de alcançar o objetivo sugerido pelo autor ou diretor, o resultado desse trabalho diáriochegará ao público e é dele a responsabilidade de se iludir e nessa ilusão maravilhosa, ver umpersonagem no palco.

 

O TEATRO NAO MUDA, O QUE(m)

MUDA É O ESPECTADOR.

- para uma interpretação atual -

 

Por que os anos vão e o teatro, e principalmente a interpretação, ambas precisam acompanhar a evolução do mundo, só ser humano contemporâneo, tecnológico no pior sentido tecnológico, vivemos em intensa transformação dia a dia, estamos passando por uma intensa transformação, muito mais intensa do que a gente pensa, violentas enormes. Então temos que acompanhar, pois quem muda é o espectador, sempre. Este novo espectador, que pode até ser o mesmo, porém com tudo isso aí que está a nossa volta, ele nos obriga a mudar o teatro, e obrigando a mudar a maneira de representar, ele nos obriga a mudar a nossa técnica também. Minhas experiências com textos de David Mamet, mas principalmente dom Arthur Miller e fundamentalmente com Harold Pinter, provaram que o espectador precisa de algo que ele acompanhe com mesmo fervor de que quando lhes foram apresentadas essas obras, em uma época não tão distante em anos, porém absurdamente criada para transgredir conceitos, tempos e ideias daquela época. Por isso é necessário que o texto chegue novo ao espectador. Que o trabalho de adequação contemporânea seja incansável. Nesse ponto a TV e o Cinema levam vantagem, masdificilmente lidam com clássicos, e quando o fazem são obrigados a adapta-los, e não vamos julgar isso pois não é o tema abordado.

 

Kusnet e Mamet

 

“Método de Desenvolvimento Artístico do AtorAtriz”, foi criado a partir dos estudose experimentações de 20 anos da CiaTeatro Epigenia, ao qual foram realizados 27 espetáculosque percorreram quase toda totalidade do território brasileiro. Muitos com imenso sucesso depúblico, crítica, indicações e prêmios.

 

“Paso, um colecionador de sucessos”

Jornal O Globo – Janeiro 2017

 

O Método utilizado no trabalho está comprometido e estruturado a partir das técnicas de Eugenio Kusnet associadas às teorias e práticas de David Mamet, para que o ator possa ver que o “tal personagem” é um limitador de horizontes. Trabalho para mostrar-lhe que a “criação de um personagem” nada mais é do que o afastamento do artista da sua ilimitada capacidade de jogar. Não existe tecnologia mais avançada que o Ator, ele é incontável, infindavelmente vasto, ilimitado, mas ao entender que precisa se livrar dessa ilusão que é a “tal construção da personagem."

 

"Um ator fingindo que é uma pessoa não é um personagem simplesmente porque um personagem não é uma pessoa. Um personagem é um elemento numa obra, e a função desse elemento é AGIR em função de Objetivos que determinam uma série de ideias que cena a cena constituem uma peça teatral.

 

Quando os atores e as atrizes estiverem absolutamente livres do vício e da tentação de explicar a ausência de conteúdos a fim de dar-lhes alguma base psicológica-estabilizadora, estarão preparados para entrar no jogo como propósito de uma criação livre de acordos mentais inventados que só servem para ocupar o espaço e lhe tirar o foco do que é realmente importante.

 

Em Kusnet mergulhamos na Ação Física, na busca pela análise da Ação Cênica no ato, o ator/atriz não estuda a personagem, não sabe dela anteriormente, apenas recebe indicações pautadas no crescimento das improvisações e passo a passo vai criando suas cenas a partir de descobrimentos livres dos obstáculos psicológicos.

 

Em Mamet há que ser capaz de jogar o jogo pelo jogo que vai sendo determinado pelas palavras sem “psicologismos” onde se agarrar. Um jogo simples, porém desafiador pois é ilimitado, e para isso é preciso determinação intelectual para Análise dos objetivos. Voltaire dizia que as palavras foram feitas para esconder os sentimentos. O teatro de Mamet é um teatro de palavras.

Conhecimentos de Kusnet e Mamet garantem, desde que a crença seja absoluta, um resultado que nunca mais nossos artistas criadores de personagens se desvencilharão.

 

Aparentemente são homens de teatro de vertentes absolutamente opostas, porém o meu conhecimento sobre a técnica de Análise Ativa de Kusnet e embate peculiar de Mamet contra Stanislavski e seus seguidos tem um ponto de interseção que é a pedra fundamental de nossa Metodologia de Trabalho.

 

Para Mamet “Não existe personagem”, para Kusnet na Analise Ativa, que se baseia na Improvisação como pilar do método, o início do trabalho se dá exatamente na crença e experimentação de que você não é um personagem, que irá iniciar uma série de cenas “a partir de você” ou seja do “SE EU FOSSE”. Assim o trabalho segue, não só com as improvisações, pois nosso método SE UTILIZA DA IMPROVISAÇÃO mas tem como pilar boa parte dos ensinamentos de Mamet, o conhecimento dos objetivos do papel a ser desenvolvido.

A improvisação é a principal matéria-prima de criação do artista. Nela se encontra caminhos e ideias que sua cabeça pensante e controladora não permitiria encontrar, pois a racionalização da cena não tem o poder de descobrir caminhos novos, inéditos, desconhecidos.

 

Pode-se construir um personagem, esse termo é aceitável, desde que essa ideia não obstrua sua capacidade de criar e que nunca se esqueça de que a simplicidade é de um poder incrível. Pense objetivo: um personagem é alguém querendo convencer outro alguém de alguma coisa.

 

Quando o Ator se preocupa muito com o caráter de um personagem e cria certezas há sempre mais trabalho. O certo é que EXISTE PERSONGEM SIM! Porém quem ele é será dito pelo espectador ao final de cada apresentação, aí, você, defendendo e buscando todos seus objetivos em cena, poderá se surpreender com dados que seriam impossíveis de ser criados numa sala de ensaio, pois eles são sentimentos. E se alguém sentou algo acerca do que você produziu em cena, esteja certo que seu trabalho está lá, digno.

 

A maior parte do treinamento do ator se concentra em dissecar o texto. Pede-se aos atores que aprendam a ser "felizes", "tristes", "preocupados" nos pontos do texto ou performance em que o "personagem" parece estar. Este procedimento não é apenas desnecessário, mas é prejudicial para o ator e o público. Minha inclinação filosófica e minha experiência de trinta tópicos me ensinaram que não há nada no mundo menos interessante do que um ator no palco imerso em suas próprias emoções. O próprio ato de lutar para criar um estado emocional nele o tira do jogo.

 

“Quando você encara os próprios males, sai fortalecido. É um efeito misterioso e catártico. Podemos encarar nossos terrores e, ao mesmo tempo, nosso incrível lado positivo”
Peter Brook“

 

"Ensaiar é gerar possibilidades”

Gustavo Paso

O Sistema Stanislavski: O que ele realmente escreveu

Muita gente não sabe, mas títulos como “A Preparação do Ator” e “A Construção do Personagem” não foram escolhas de Stanislavski. Na verdade, o que ele concebeu foi uma obra dividida em dois grandes blocos sob o título “O Trabalho do Ator Sobre Si Mesmo”.

A estrutura original pensada por ele era:

  • Volume 1: “O trabalho do ator sobre si mesmo no processo de vivência. Diário de um aluno.”

  • Volume 2: “O trabalho do ator sobre si mesmo no processo de personificação. Diário de um aluno.”

A questão é que Stanislavski só conseguiu finalizar o primeiro volume, que já estava na gráfica quando ele faleceu, em 1938. Já o segundo volume foi organizado postumamente a partir dos seus manuscritos e anotações, sendo publicado pela primeira vez apenas em 1948.

EM 1964 Quando dirigiu a peça Pequenos Burgueses na Escola de Arte Dramática (EAD), Eugênio Kusnet teve uma experiência que destacou, de forma crítica, a falta de preparo prático dos alunos em relação à improvisação e à criatividade espontânea.

 

O método de atuação de Stanislavski é conhecido, na sua melhor tradução, como Método de Análise através das Ações Físicas, como descreve Jean Benedetti, com objetivo de desenvolver praticamente por improvisações o que os atores e atrizes devem realizar nas situações propostas pelo autor. É também chamado de análise ativa, um sistema que objetiva liberar a imaginação e as forças criativas, numa forma vivenciada. A ação física é o fundamento no qual a totalidade das superestruturas emocionais, mentais e filosóficas da representação são construídas pelos artistas. A atuação é a criação consciente de um eu dramático, diferente do eu real e a ação é a base da interpretação. O motor do “sistema” é a composição física da memória intelectual, afetiva, muscular, que produz então a imagem artística que contém a vida interior encarnada ou vice versa.

Isto colocado, alguns processos estruturais do “sistema” são fundamentais na análise ativa de Stanislavski. Vamos selecionar alguns, em nosso propósito de estabelecer relações com o trabalho de Spolin: ação; adaptação; círculo de atenção; circunstâncias dadas; agora; estar sendo; objeto de atenção; ação orgânica; o terceiro ser (produto do casamento entre o ator e a personagem); seqüência lógica de ações; seqüência lógica de emoções, o se mágico...

Todos estes procedimentos são intrínsecos ao processo dos jogos teatrais de Viola Spolin, embora tenham sido organizados de forma um pouco distinta. O russo Eugênio Kusnet (1898-1975), foi grande ator e professor de formação Stanislavskiana, um dos importantes propagandistas do sistema no Brasil, com sua presença no Estúdio do Teatro de Arte e na Escola Teatral de Stuchkin, anexa ao Teatro Vakhtangov na década de sessenta. Em 1971, Kusnet descrevia o “método da análise ativa”: a maneira de analisar o material dramatúrgico em ação, ou seja, através “da ação praticada pelos intérpretes”, onde a improvisação se torna um dos elementos essenciais no processo psico-físico.

Kusnet, aproxima as técnicas de Brecht as de Stanislavski, ao afirmar que há uma “gradação de dosagem” entre ambos, e não muitas diferenças, na relação do ator com a personagem. Aliás repete o que afirma Brecht, uma gradação entre o épico e o dramático . Descreve Kusnet o fenômeno da “dualidade do ator” reconhecido por Stanislavski. A ação física e da ação mental “não podem existir em separado”, afirma, pois “se processam simultaneamente”, como descreve Kusnet dando-lhe um nome: “a lei da interdependência da psique e do físico humano”.

Afirma Kusnet, aprofundando a dualidade atoral, que o ator vive a personagem imaginária como se fosse real, enquanto o ator “continua tendo certeza de que essas situações e o próprio personagem são fictícios, sendo que esta certeza não prejudica a sinceridade da sua vivencia em cena”.44 Esta situação imaginada da personagem se constitui, primeiramente, estabelecendo-se a situação da personagem (QUEM e ONDE), depois as necessidades da personagem (O QUE), para tomar a atitude ativa, agir no lugar da personagem como se ele fosse real, vivendo a dualidade de sua situação imaginária, sem perder o contato com a “realidade objetiva”.

 

 

Como descreve Stanislavski, na voz de seu heterônimo Torstov:

 

para que ficar sentado, meses a fio, espremendo dentro de si o sentimento sonolento? Por que fazê-lo viver fora da ação? É melhor entrar em cena logo e agir, executar aquilo que, no momento presente, estiver a seu alcance. Como consequência da ação surgirá o seu interior.

Ou ainda o relato de Stella Adler, em sua visita a Stanislavski, no verão parisino de 1934, quando trabalha diariamente durante um mês numa personagem que ela teria tido dificuldades nos EUA, agora sob a supervisão direta do mestre. Estamos nos momentos finais de vida do ator russo, momentos que antecedem a abertura de sua Escola de Ópera e Drama de Moscou, sua última experiência na preparação de atores.

Adler descreve, atenção para as palavras: “Então (Stanislavski) explicou-me como era importante usar as circunstâncias. Disse que onde você está é o que você é; o como você está; e o que você pode ser”. E Adler lembra ainda que o “sistema” de Stanislavski incluía a escola francesa de atuar, de grande influência na Rússia, contrariando muito dos equívocos ainda recorrentes sobre o trabalho de Stanislavski, afirma ela que esta escola é “fundamentada na Commedia dell'Arte”.

Nada mais claro.

Stanislavski/Torstov, em O Trabalho do Ator sobre si mesmo, sublinha o processo criativo sensório-motor e depois o psico-físico que se estabelece desde a tenra infância humana, os Jogos Teatrais na ciência de formação simbólica, em todas as suas perspectivas. O “interior” surge da ação, descreve ele.

Assim temos, na perspectiva do trabalho do ator, um processo complementar àquele identificado por Courtney e Vygotsky. Se estes dois identificaram, no processo de formação de conhecimento humano, a evolução de um “processo dramático” que se desenvolve em sua base sensório-motora, como motor gerador da “imaginação criativa” do homem, estabelecem a construção da imaginação em ação. Por outro lado, aqui, com Stanislavski/Kusnet, identificamos a vivência deste processo, num patamar superior, como ação psicofísica que se desenvolve dentro e fora do imaginário, num procedimento que só não é reverso porque é simultâneo, em devir. Imagem-ação.

 

Ou ainda, se o jogo infantil constrói uma relação entre o campo do significado e o campo visual, que será “interiorizada”, transformada em situação imaginária, que existe no pensamento, o jogo teatral, por outra lado, re-constrói e aprofunda as tendências evolutivas em forma condensada e simultânea. Transforma a imaginação jogada, vivenciada, em nova realidade. Transforma a imaginação em realidade cênica, construída, re-construída, vivida em sucessão/repetição, em forma coletiva, intergrupal (artistas e equipe técnica) e intragrupal (as várias platéias). Por isto sua continuidade como processo de conhecimento vivenciado só tem a acrescentar ao desenvolvimento do conhecimento humano, algumas ciências já percebem isto, o psicodrama, por exemplo.

Neste sentido se entende de forma complexa as colocações de Neva Boyd e Viola Spolin quando definem o “comportamento de jogo e a fisicalização” como categorias que compõem e estruturam o sistema de jogos teatrais. Boyd afirma que o jogar (to play) é o que transporta o jogador “psicologicamente para dentro de uma situação construída imaginativamente para que atue (to act) consistentemente dentro dela”, a mesma duplicidade do ator.

O jogo é sempre uma situação artificial e trabalha sempre [ao mesmo tempo] uma situação autêntica […] um jogo é uma situação construída imaginativamente e definida por regras […] aceitas pelos jogadores. Assim, quando uma criança joga um jogo, ela psicologicamente transplanta-se da situação real (genuína) para a situação artificial ou imaginada. A criança aceita a total situação do jogo, incluindo seu próprio papel dentro do jogo e, tanto quanto dure o jogo, atua tão consistentemente na nova situação como se ela fosse real (genuína).

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